Fumaça persiste em Manaus pelo 7º dia; setembro concentra 56% dos focos de calor registrados no Amazonas em 2026

Manaus chegou nesta quinta-feira (24) ao sétimo dia consecutivo encoberta pela fumaça das queimadas, enquanto o Amazonas, estado que compõe a Amazônia Legal, registra uma forte concentração de focos de calor em setembro, além de altas temperaturas. Dos 5.790 focos contabilizados no estado desde o início do ano, 3.259 ocorreram somente entre os dias 1º e 23 deste mês, segundo dados do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Isso significa que 56,3% de todos os focos detectados no Amazonas ao longo do ano se concentraram em apenas 23 dias de setembro. O dia 22 marcou o maior volume diário de setembro até agora, com 520 focos de calor detectados em apenas 24 horas.

O avanço das queimadas coincide com a persistência da fumaça sobre Manaus e com registros elevados de partículas finas no ar. Dados da plataforma Selva, desenvolvida pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), mostram que a qualidade do ar na manhã desta quinta-feira permanece em situação crítica na capital, com pelo menos quatro estações na classificação “péssima”, com riscos à saúde da população.

Entre os valores mostrados no monitoramento estão concentrações de material particulado fino (PM2,5) de 186,9, 157,4, 153,5 e 129,8 microgramas por metro cúbico. Outras estações registravam 120,6, 105,5, 99,3 e 87,8 µg/m³.

O cenário piora em alguns municípios do interior do estado. E Manacapuru, a concentração de material particulado fino chegou a 318. Em Manaquiri, o índice registrado foi de 354.2 e em Careiro, 346.9, dados que apontam para risco elevado à saúde da população, que inala os poluentes no ar.

O cenário levou a Prefeitura de Manaus a colocar a cidade em estado de atenção. Segundo o município, o agravamento da qualidade do ar fez a capital registrar, na quarta-feira (23), a segunda pior qualidade do ar do país. A administração municipal informou que está utilizando drones para monitorar focos de incêndio e intensificando ações preventivas. ⁠

Novo Aripuanã lidera ranking nacional

O problema se estende pelo interior do Amazonas. No levantamento do Inpe referente às 48 horas entre 22 e 23 de setembro, Novo Aripuanã aparece como o município com maior número de focos de calor entre as cidades brasileiras mostradas no ranking, com volume próximo de 100 ocorrências.

Outros três municípios amazonenses aparecem entre os primeiros colocados: Manicoré, Humaitá e Autazes. O ranking também reúne municípios de Mato Grosso, Acre, Bahia, Piauí e Rondônia.

A concentração de cidades do Amazonas entre os municípios com maior quantidade de focos ajuda a dimensionar a pressão das queimadas no estado neste fim de setembro.

Incêndio se alastra em Iranduba

Grandes incêndios também têm sido registrados nos últimos dias. Em Iranduba, na Região Metropolitana de Manaus, um incêndio florestal que começou na quarta-feira (23) continuava se alastrando nesta quinta, com equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas atuando no combate às chamas.

Na terça-feira (22), outro incêndio de grandes proporções atingiu uma área de vegetação nas proximidades da Ponte Jornalista Phelippe Daou, a Ponte Rio Negro, produzindo uma extensa coluna de fumaça e mobilizando os bombeiros.

O Governo do Amazonas informou que reforçou as ações de combate e fiscalização diante do agravamento do cenário. Segundo balanço apresentado na quarta-feira, cerca de mil servidores, entre militares e brigadistas, estão envolvidos nas operações, com 65 viaturas. A Operação Amazonas + Verde mantém ações em 33 municípios. ⁠

Leia também: Fumaça volta a encobrir Manaus e cidade apresenta segunda pior qualidade do ar do País

O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) também anunciou reforço na fiscalização do uso irregular do fogo nos 13 municípios da Região Metropolitana de Manaus, com três equipes atuando simultaneamente em conjunto com o Batalhão de Policiamento Ambiental. Drones e dados de satélite estão sendo utilizados para direcionar as fiscalizações. ⁠

O uso do fogo está proibido em todo o Amazonas por 120 dias desde decreto estadual publicado em 9 de setembro. A restrição alcança, entre outras práticas, a limpeza de áreas, manejo agrossilvipastoril e eliminação de resíduos vegetais. ⁠

Segundo balanço apresentado pelo Corpo de Bombeiros e divulgado pelo Amazônia Plural, a corporação atuou em 14.899 focos de incêndios urbanos e florestais entre 1º de julho e 22 de setembro. Já o Inpe contabiliza focos de calor identificados por satélite. ⁠

O governo estadual atribui o agravamento das condições para propagação do fogo à combinação de chuvas abaixo da média, temperaturas elevadas e vegetação mais seca, além da ação humana e do uso irregular do fogo. ⁠

A fumaça já apresenta reflexos na rede de saúde. Entre 1º de julho e 22 de setembro, a Secretaria de Estado de Saúde registrou 132 atendimentos de pessoas com sintomas associados à exposição à fumaça, sendo 23 somente em setembro. Entre os sintomas relacionados pelo Estado estão falta de ar, tosse, dor de cabeça, irritação na garganta, fadiga e tontura. ⁠

Chuva pode trazer alívio

A possibilidade de chuva passou a ser acompanhada como uma expectativa de alívio tanto para a fumaça quanto para as temperaturas elevadas. O Censipam mantém previsão meteorológica específica para a Amazônia, incluindo precipitação, temperatura e umidade. ⁠

A previsão meteorológica consultada nesta manhã indica, porém, que o alívio pode não ser imediato: para esta quinta-feira, Manaus ainda pode chegar aos 36°C, e a indicação mais consistente de chuva aparece a partir de sexta-feira (25). Há, inclusive, alerta amarelo de chuvas intensas do Inmet válido a partir da virada para sexta, com possibilidade de 20 a 30 milímetros por hora ou até 50 milímetros no dia.

Ministério não respondeu

A reportagem procurou o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima para saber quais ações de apoio do Governo Federal estão sendo desenvolvidas no Amazonas e na região amazônica diante do avanço das queimadas, além das medidas previstas para os próximos dias. Até a publicação desta matéria, o Ministério não havia respondido aos questionamentos.

Foto de destaque: frame – internet

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