Greve dos bancários continua em Roraima enquanto Caixa retoma negociação nesta quarta-feira

A greve dos funcionários da Caixa Econômica Federal continua nesta quarta-feira (16) em Roraima, mesmo com a retomada das negociações entre representantes dos trabalhadores e a direção do banco. A nova rodada foi marcada após cobrança da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), segundo informações divulgadas pelo Sindicato dos Trabalhadores do Ramo Financeiro do Estado de Roraima (Sintraf-RR). 

A campanha salarial envolveu trabalhadores de bancos públicos e privados, por meio da negociação nacional com a Fenaban Federação Nacional dos Bancos). Já a greve deflagrada em setembro concentrou-se nos bancos públicos, com paralisações envolvendo principalmente Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil (BB) e Banco da Amazônia (Basa).

Leia também: Bancários de Roraima iniciam greve por tempo indeterminado nesta quinta-feira

O movimento por tempo indeterminado começou em 10 de setembro, após trabalhadores rejeitarem propostas para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). Em Roraima, a mobilização inicialmente alcançou Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e Banco da Amazônia, embora a adesão e a continuidade da paralisação tenham ocorrido de maneira diferente em cada instituição. 

Nesta quarta, o foco está na Caixa, onde o impasse nacional permanece. A Contraf-CUT e entidades sindicais defendem a manutenção da greve enquanto as negociações não resultarem em uma proposta considerada suficiente pelos funcionários.

“A greve precisa seguir forte para que a direção do banco avance de forma efetiva nas negociações e atenda às reivindicações dos funcionários”, informou o Sintraf-RR ao divulgar a nova rodada através de nota nas redes sociais.

A entidade também pediu que os trabalhadores mantenham a mobilização e acompanhem as orientações divulgadas pelos sindicatos e pela Contraf-CUT.

Entre os principais pontos que mantêm o impasse nacional na Caixa está o Saúde Caixa, plano de assistência médica dos funcionários. Uma proposta apresentada pelo banco após o início da paralisação foi rejeitada por 68% dos participantes de assembleia realizada no dia 11 de setembro. Entre as medidas apresentadas estavam mudanças no custeio do plano, pagamento de R$ 3 mil por empregado e antecipação da Participação nos Lucros e Resultados (PLR). 

Com a rejeição, a paralisação foi mantida. A Caixa e os representantes dos bancários chegam à negociação desta quarta-feira com a greve já em seu sétimo dia.

Mobilização começou em agosto

A greve iniciada em setembro é um desdobramento de uma mobilização que ganhou força ainda em agosto, durante as negociações da Campanha Nacional dos Bancários de 2026.

Em Roraima, bancários fizeram uma paralisação de 24 horas em agosto, antes da deflagração da greve por tempo indeterminado. O movimento pressionava por avanços nas negociações salariais e nas condições de trabalho. Naquele período, as discussões nacionais envolviam reposição da inflação, aumento real, manutenção de direitos e reivindicações específicas dos funcionários dos bancos públicos.

No fim de agosto, após sucessivas rodadas de negociação, o Comando Nacional dos Bancários chegou a uma proposta com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) que previa reposição do INPC acrescida de 0,6% de aumento real em 2026 e 2027 para salários e outras verbas, incluindo vales e PLR. 

As negociações específicas dos bancos públicos, entretanto, continuaram. Em Roraima, assembleias realizadas nos dias 3 e 4 de setembro rejeitaram propostas apresentadas e aprovaram a paralisação por tempo indeterminado a partir do dia 10. 

A situação posteriormente passou a variar entre as instituições. No Banco do Brasil, um novo acordo coletivo foi aprovado e assinado em 11 de setembro, encerrando a paralisação nas bases que haviam aderido ao movimento. 

Na Caixa, porém, o acordo ainda não foi fechado. Por isso, a negociação desta quarta-feira é tratada pelas entidades sindicais como uma nova tentativa de superar o impasse e encerrar a greve. Enquanto não houver entendimento, a orientação divulgada pelo Sintraf-RR é pela continuidade da mobilização.

Crédito da foto: movimento grevista 

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