O ex-deputado federal Marcelo Ramos (PT) publicou nas redes sociais, na última quinta-feira (10), um vídeo com críticas ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), que cumpre agenda de campanha em Manaus nesta sexta-feira (11). Na gravação, Ramos classificou o presidenciável como “inimigo declarado do Amazonas” e associou sua candidatura ao legado do governo de Jair Bolsonaro (PL), citando a crise de oxigênio durante a pandemia de Covid-19, os embates envolvendo a Zona Franca de Manaus (ZFM) e as recentes revelações sobre negociações de Flávio com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
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“O candidato Flávio Bolsonaro está em Manaus e é importante resgatarmos o que ele representa. Ele representa, antes de tudo, a política do pai, Jair Bolsonaro”, afirmou Ramos.
Marcelo retomou a crise sanitária que atingiu o Amazonas durante a pandemia. Ele acusou Jair Bolsonaro de ter negado oxigênio e vacinas e mencionou o episódio em que o então presidente imitou uma pessoa com falta de ar ao criticar medidas adotadas durante a pandemia.
Ramos relacionou o episódio ao colapso do sistema de saúde amazonense, marcado pela falta de oxigênio medicinal em Manaus em janeiro de 2021.
Zona Franca entra no centro das críticas
Outro ponto explorado por Marcelo foi a relação do governo Bolsonaro com a Zona Franca de Manaus, modelo econômico considerado um dos alicerces da economia no Amazonas. O ex-deputado afirmou que o governo federal adotou medidas de redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) que ameaçaram a competitividade das indústrias instaladas no Polo Industrial de Manaus (PIM).
“Durante quatro anos como presidente, atacou reiteradamente a Zona Franca de Manaus, chegando ao ponto de zerar o IPI dos produtos da Zona Franca de Manaus produzidos fora”, declarou.
Em 2022, decretos do governo Bolsonaro reduziram as alíquotas de IPI em âmbito nacional e desencadearam uma disputa judicial sobre os impactos para a competitividade da Zona Franca. O Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu os efeitos das reduções sobre produtos fabricados no polo que possuem Processo Produtivo Básico, preservando o diferencial tributário do modelo.
Marcelo, que era deputado federal naquele período, esteve entre os políticos amazonenses que recorreram ao STF contra as mudanças.
Críticas à visita à Honda
O ex-deputado também direcionou as críticas à agenda de Flávio em Manaus. O presidenciável visitou a Moto Honda, uma das principais empresas instaladas no Polo Industrial.
Embora tenha afirmado compreender que os dirigentes da companhia recebam o candidato por “cordialidade” e “formalidade institucional”, Marcelo disse que trabalhadores deveriam lembrar dos embates ocorridos durante o governo Bolsonaro.
“É importante que os trabalhadores da Honda lembrem que, se dependesse de Flávio Bolsonaro, eles não tinham mais os seus empregos. Que, se dependesse de Flávio Bolsonaro, eles não tinham mais como sustentar as suas famílias”, afirmou.
Vorcaro e ‘rachadinhas’
Marcelo também trouxe para o discurso as recentes revelações envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Ele citou valores relacionados à captação de recursos para o projeto cinematográfico “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, e afirmou que Flávio procurou Vorcaro para conseguir financiamento para a produção.
Ramos mencionou ainda o caso das chamadas “rachadinhas”, investigado durante o período em que Flávio era deputado estadual no Rio de Janeiro, além de referências à relação de antigos integrantes de seu gabinete com pessoas apontadas como ligadas a milícias.
O ex-deputado encerrou a manifestação afirmando que a passagem do presidenciável pela Honda teria um significado negativo para o modelo econômico amazonense.
“Essa visita é um atraso simbólico para o nosso modelo, mas eu tenho certeza que amanhã o povo do Amazonas vai reagir a esse cinismo de Flávio Bolsonaro, um inimigo declarado do Amazonas”, declarou.
Flávio Bolsonaro está em Manaus nesta sexta-feira para uma agenda que inclui compromissos políticos e apoio à candidatura de Maria do Carmo Seffair (PL) ao Governo do Amazonas pela coligação Mudar é Urgente (PL/Novo).






