Três crianças indígenas Yanomami, de 1, 4 e 5 anos, morreram após um ataque a tiros ocorrido na tarde de terça-feira (28), na comunidade Kahosiki, localizada no Polo Base Parima, região de Surucucu, no município de Alto Alegre, ao norte de Roraima. Outras cinco pessoas, sendo dois adultos, duas crianças de 8 anos e um bebê de quatro meses, ficaram feridas e estão internadas no Hospital da Criança Santo Antônio e no Hospital Geral de Roraima (HGR). Duas das três crianças encontram-se em estado grave,. conforme a última atualização.
Segundo o presidente da Associação Urihi Yanomami, Waihiri Hekurari Yanomami, os disparos foram efetuados por indígenas da própria etnia, moradores da comunidade Waputha. As circunstâncias e a motivação do ataque ainda serão investigadas pelas autoridades.
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De acordo com ele, o caso foi comunicado pela Associação Urihi à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), por meio da Frente de Proteção Yanomami e Yekwana instalada na região. Waihiri Hekurari também disse que um boletim de ocorrência será registrado na Polícia Civil de Roraima para formalizar a investigação e viabilizar a identificação dos responsáveis.
Ainda conforme o dirigente indígena, o ataque ocorreu no meio da tarde, quando um grupo de moradores retornava de canoa para a comunidade Kahosiki, após buscar alimentos em uma localidade próxima. As vítimas foram surpreendidas pelos disparos durante o trajeto.
Embora a motivação do crime ainda não tenha sido esclarecida pelos sobreviventes, Waihiri Hekurari afirmou que o conflito entre as comunidades Kahosiki e Waputha é antigo e se arrasta há cerca de dois anos. Nesse período, segundo ele, a Associação Urihi atua como mediadora em tentativas de diálogo para reduzir as tensões entre os grupos.
Nota pública
Em nota pública divulgada nesta quarta-feira (29), a Associação Urihi Yanomami manifestou “profundo pesar” pela ocorrência e confirmou a morte das três crianças. A entidade informou que todas as vítimas sofreram ferimentos por arma de fogo e declarou que adotará as medidas necessárias para garantir a apuração rigorosa do caso.
A associação afirmou que acionará os órgãos competentes para que os fatos sejam investigados, com a identificação dos autores e a responsabilização dos envolvidos, conforme previsto na legislação. Também informou que acompanhará as investigações e as providências adotadas pelas autoridades, cobrando transparência, justiça e proteção ao povo Yanomami.
Até a publicação desta reportagem, os órgãos de segurança pública responsáveis pela investigação não haviam divulgado informações oficiais sobre o caso nem se manifestado sobre as circunstâncias do ataque.
Na nota, a entidade afirma que seguirá acompanhando o caso junto aos órgãos competentes, cobrando uma investigação célere, transparente e a responsabilização dos autores da violência.






