Caso Benício: médica vendia cosméticos no WhatsApp enquanto menino recebia atendimento após aplicação errada de adrenalina

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O conteúdo do celular da médica Juliana Brasil, apreendido pela Polícia Civil do Amazonas, revela que, enquanto o menino Benício Xavier apresentava falta de ar e era atendido no Hospital Santa Júlia, ela negociava a venda de maquiagem com desconto por um aplicativo de mensagens. Benício morreu em 23 de novembro do ano passado, após receber uma superdose de adrenalina intravenosa prescrita de forma equivocada pela médica. Segundo o delegado Marcelo Martins, responsável pelo caso, as mensagens indicam indiferença diante do estado da criança, e tanto a médica quanto a técnica de enfermagem que aplicou o medicamento devem ser indiciadas por homicídio doloso.

“Uma pessoa preocupada se o paciente vai morrer ou não não faz isso. Dentro da minha analise jurídica, é um fator clássico de indiferença com a vida da vítima, o que configura dolo eventual”, afirmou o titular dfo 24 DIP (Distrito Integrado de Polícia).

Conforme informações divulgadas pela Rede Amazônica, afiliada da Globo no Amazonas, o celular também mostrou uma manobra da médica para editar um vídeo do sistema de gestão hospitalar da unidade privada de saúde, de modo a demonstrar que a prescrição assinada por ela poderia ter sido alterada automaticamente após registro na rede do Hospital Santa Júlia.

Conversas registradas no aplicativo de mensagens apontam que Juliana Brasil ofereceu dinheiro a uma enfermeira para fazer o vídeo. Em áudio, a médica explica a manobra. ” Acha que a Ângela ligou para a Deus e o mundo, porque até agora essa ata não chegou aqui. Tipo, e eu já estou com nojo da cara dela, heim. Nojo porque não me ajudou. Não fez o vídeo e não quis se comprometer. Se ela fosse outra, uma pessoa inteligente, ela tinha ficado do nosso lado. O que que ela tinha que ter feito? Vou fazer o vídeo já com a alteração”, diz a profissional de saúde.

“Só que aí, o que que acontece? Se incriminar o pronto-socorro, ia incriminar o Santa Júlia, entendeu? Aí, a mer** ia ser maior. Mas, assim, amanhã vai chegar o vídeo pra mim já alterado, entendeu?”, garantiu.

O vídeo foi usado pela defesa da médica para a obtenção de um Habeas Corpus preventivo no Tribunal de Justiça do Amazonas (Tjam), medida que foi revogada em seguida pela própria Corte.

Leia também: Caso Benício: morte completa quatro meses e Polícia aguarda laudo de necropsia para concluir inquérito

Entenda o caso

Benício deu entrada com quadro suspeito de laringite no hospital em novembro do ano passado e deveria ter recebido, conforme protocolo médico para esse tipo de caso, adrenalina por nebulização, em uma dosagem menor. No entanto, a prescrição médica indicava a aplicação de nove miligramas do medicamento puro por via intravenosa, quantidade superior à indicada para um adulto com parada cardiorrespiratória, por exemplo.

Benício passou mal após receber a superdose da medicação, foi encaminhado à ‘Sala Vermelha’ do hospital e depois para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva), onde teve sucessivas paradas cardiorrespiratórias até morrer horas depois.

Juliana e a técnica de enfermagem Raíza Bentes respondem em liberdade e foram afastadas de suas funções no Hospital. A Polícia Civil do Amazonas aguarda a liberação de dois laudos técnicos, entre eles, o de necropsia, que deve ser liberado nos próximos dias pelo IML (Instituto Médico Legal), para concluir o inquérito que investiga as circunstâncias da morte da criança.

Foto: reprodução- internet

*Com informações da Rede Amazônica

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