A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta sexta-feira (6), a Operação Sine Consensu, que tem como alvo servidores da Amazonprev, fundação responsável pela gestão do regime próprio de previdência dos servidores do Estado do Amazonas. A investigação apura a aplicação de cerca de R$ 390 milhões, em 2024, em instituições financeiras privadas sem a anuência do Comitê de Investimentos da entidade, vinculada ao Governo do Amazonas.
Estão sendo cumpridos sete mandados de busca e apreensão em Manaus e em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Entre as instituições que receberam os recursos estão o Banco Master e o C6 Bank.
A PF também solicitou à Justiça o afastamento das funções, por 90 dias, dos servidores investigados. Eles podem responder pelos crimes de gestão temerária e corrupção ativa e passiva.
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De acordo com as investigações, do total analisado, R$ 50 milhões foram aplicados no Banco Master, instituição liquidada recentemente pelo Banco Central do Brasil. O banco também é alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Congresso Nacional e de processo no Supremo Tribunal Federal (STF), por suspeita de fraude financeira que ultrapassa R$ 27 bilhões.
Outros R$ 250 milhões, segundo a PF, foram aplicados no C6 Bank, banco digital lançado em 2019 que atende pessoas físicas e jurídicas. A investigação analisou transações financeiras realizadas entre junho e setembro de 2024.
Pelo menos três servidores públicos são investigados: dois funcionários efetivos da Amazonprev e um ex-ocupante de cargo comissionado. São eles: Claudinei Soares, gestor de recursos e coordenador do comitê investigado, apontado como o principal responsável pela ordenação e execução das aplicações financeiras; Cláudio Marins de Melo, diretor de Finanças; e André Luís Bentes de Souza, diretor de Previdência da fundação, responsável pelo credenciamento das instituições financeiras junto à Amazonprev.
A Polícia Federal também apura movimentações financeiras consideradas suspeitas envolvendo uma locadora de veículos sediada em Niterói, que repassou valores elevados aos servidores investigados. O dono da Alfa A Consultoria e Gestão de Frota LTDA, Sãvio Loyola e Silva, está na lista dos alvos.
Em nota, a Amazonprev reiterou que as operações financeiras relacionadas ao Banco Master não devem causar prejuízos a servidores estaduais e pensionistas. A fundação informou ainda que está colaborando com as investigações da Polícia Federal e permanece à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
A instituição também declarou que os dois diretores citados na operação foram afastados de suas funções e que o servidor comissionado investigado não integra mais os quadros da fundação desde 2024.






