Dos 23 cursos de medicina avaliados na primeira edição do Exame Nacional de Formação Médica (Enamed), nas capitais dos estados da Amazônia Legal, a maioria das instituições públicas apresentou desempenho superior ao das privadas. Ao todo, 12 cursos são ofertados por universidades públicas e 11 por instituições privadas. Os dados foram divulgados pelos Ministérios da Educação (MEC) e da Saúde, na última segunda-feira (19).
As capitais dos nove estados da Amazônia Legal concentram quase 7% das instituições avaliadas. Entre as universidades públicas localizadas na região, oito cursos de medicina (66,6%) alcançaram conceito 4, em uma escala que vai de 1 a 5, enquanto os outros quatro (33,3%) obtiveram conceito 3. Nenhuma instituição pública dessas capitais recebeu nota inferior a 3, patamar considerado satisfatório pelo MEC.
O cenário é distinto entre as instituições privadas. Apenas a CESUPA – Centro Universitário do Pará – obteve conceito 4. Ela representa 9% das instituições privadas. As demais apresentaram desempenho inferior: uma obteve conceito 3, quatro cursos receberam conceito 1 e cinco ficaram com conceito 2. Em termos percentuais, 45,4% das instituições privadas avaliadas alcançaram nota 2, enquanto 36,3% registraram conceito 1.
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O levantamento foi elaborado pelo Amazônia Plural com base na planilha oficial disponibilizada pelo Governo Federal. Segundo o MEC, cursos que obtêm conceitos de 3 a 5 são considerados satisfatórios. Já aqueles com notas abaixo desse patamar serão submetidos a ações de supervisão pela Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres), vinculada ao ministério.
Aproveitamento de resultados
De acordo com o Governo Federal, a avaliação para os cursos de medicina permite o aproveitamento de seus resultados nos processos seletivos de programas de residência médica. Os resultados apresentados referem-se aos 351 cursos de medicina que participaram do Enamed 2025. Desses, 304 pertencem ao Sistema Federal de Ensino, que inclui as instituições públicas federais e as instituições privadas. Os demais são regulados pelos sistemas estaduais
De acordo com a análise, dos 304 cursos de medicina de instituições de educação superior públicas federais e privadas que participaram do Enamed, 204 (67,1%) alcançaram conceito 3 a 5 do Enade, considerados satisfatórios. Outros 99 cursos (32%) obtiveram conceito Enade nas faixas 1 e 2, com menos de 60% dos seus estudantes apresentando desempenho considerado adequado no Enamed.
O ministro da Educação, Camilo Santana, reforçou o papel do Enamed como um instrumento de diagnóstico da formação médica no país, mostrando as instituições que estão tendo um bom desempenho e que precisam melhorar. Para ele, é fundamental que os médicos tenham uma boa formação para garantir o atendimento dos cidadãos nos hospitais, postos de saúde e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). “Há uma grande preocupação nos ministérios da Educação e da Saúde em assegurar que os cursos oferecidos aos alunos brasileiros possam garantir a qualidade da formação médica nesse país, até porque são profissionais que cuidam da vida das pessoas”.
Os cursos com conceito 1 e 2 pertencem a 93 instituições de educação superior e estão sujeitos a um processo de supervisão, com a aplicação de diferentes medidas cautelares, de forma escalonada, conforme o percentual de concluintes considerados proficientes. Quanto maior o risco ou ameaça ao interesse público e aos estudantes, mais graves serão as medidas adotadas.
Na faixa 1, oito cursos tiveram menos de 30% de concluintes proficientes e sofrerão suspensão de ingresso. Já os 13 cursos que tiveram o percentual de proficiência entre 30% e 40% terão redução de 50% da oferta de vagas. Na faixa 2, os 33 cursos com 40% a 50% de concluintes proficientes passam por redução de 25% das vagas.
Esses três primeiros grupos estão impedidos de ampliar vagas e terão suspensa a participação no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e em outros programas federais.
Os 45 cursos da faixa 2 que tiveram percentual de proficiência acima de 50% sofrerão apenas a proibição de aumento de vagas, sem medidas cautelares específicas adicionais, por ora.
Cabe à Seres dar ciência às instituições responsáveis por esses cursos acerca da instauração de um processo administrativo de supervisão, podendo a instituição se manifestar, no prazo de 30 dias, e requerer a concessão de prazo para saneamento das deficiências. As medidas devem durar até a publicação do Conceito Enade 2026.
Acompanhe os conceitos por instituição e estado da Amazônia Legal
Manaus (AM)
Ufam: 3
Nilton Lins: 1
Fametro: 1
UEA: 3
Boa Vista (RR)
UFRR: 4
UERR: 3
Porto Velho (RO)
Unir: 4
FIMCA: 2
AFYA: 2
UNNESA: 1
Palmas (TO)
UFT: 4
AFYA: 3
Macapá (AP)
Unifap: 4
Cuiabá (MT)
UFMT: 4
UNIC: 2
São Luís (MA)
UFMA: 4
UNICEUMA: 2
Belém (PA)
UEPA: 4
UFPA: 3
CESUPA: 4
INIFAMAZ: 2
Rio Branco (AC)
UFAC: 4
UNINORTE: 1
*Coordenada com informações da assessoria do MEC
FOTO: Marcelo Camargo – Agência Brasil






