Justiça nega pedido de prisão de médica e técnica de enfermagem investigadas pela morte de Benício, de 6 anos

A Justiça do Amazonas indeferiu o pedido de prisão preventiva da médica Juliana Brasil e da técnica de enfermagem Raiza Bentes, investigadas pela morte de Benício Xavier, de 6 anos, ocorrida no último dia 23, no Hospital Santa Júlia, em Manaus. A solicitação de prisão preventiva foi feita no início da semana, pela Polícia Civil do Amazonas, que investiga o caso através do 24o DIP (Distrito Integrado de Polícia). A principal suspeita é de homicídio doloso por erro médico.

Apesar de negar a prisão, a Justiça determinou o cumprimento de uma série de medidas cautelares aplicadas a ambas as suspeitas, tais como: impedimento de exercer a profissão, comparecimento mensal em juízo para prestar esclarecimentos no âmbito da investigação e a proibição de deixar a cidade de Manaus sem comunicação prévia ao judiciário.

Raiza Bentes e Juliana Brasil também estão proibidas de se aproximar da família de Benício Xavier e de testemunhas do caso, como profissionais de saúde do Hospital Santa Júlia cujos depoimentos foram colhidos no âmbito do inquérito policial.

O 24o DIP incluiu na investigação a declaração do Hospital Santa Júlia ao Ministério da Saúde (MS), informando que Juliana Brasil constava no quadro de pediatras da unidade de saúde. A médica, com cerca de seis anos de atuação na área da saúde, não possui título de pediatra, conforme exige o Conselho Regional de Medicina.

No entanto, assinava prescrições e documentos internos com carimbo da pediatria, o que levou a Polícia a tratá-la como suspeita de falsidade ideológica e uso de documento falso. A direção do Santa Júlia também é investigada pela prática.

Membros da direção do Hospital privado terão os depoimentos colhidos nesta terça-feira, 16, e na próxima quinta-feira, 18, pela Polícia Civil.

Entenda o caso

Benício Xavier, de 6 anos, deu entrada no último dia 23 na unidade de saúde com quadro de tosse seca e suspeita de laringite. Lá, a médica Juliana Brasil prescreveu, de forma equivocada, a aplicação de adrenalina intravenosa na criança, quando a indicação era administrar o medicamento por nebulização.

Leia também: Caso Santa Júlia: médica admite em mensagens ter errado prescrição que antecedeu a morte de Benício

Após receber uma superdose de adrenalina, 15 vezes maior que o indicado para uma pessoa com o peso e a idade dele, o menino apresentou palidez e fortes dores no peito. Ele foi encaminhado à UTI Pediátrica (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital, onde teve seis paradas cardiorrespiratórias antes de morrer.

Leia também: Benício recebeu superdose de adrenalina que afetou múltiplos órgãos, afirma chefe de UTI Pediátrica do Hospital Santa Júlia 

O atestado de óbito de Benício, revisado dois dias depois pela unidade de saúde, trouxe como causa da morte danos causados pela aplicação da adrenalina, medicamento que atua no sistema nervoso central. Benício teve múltiplas lesões em órgãos vitais como coração, rins e pulmões.

Entre as linhas de investigação da Polícia Civil estão morte por erro médico, erros no procedimento de intubação, falhas na estrutura hospitalar, entre outros.

Leia também: Hospital Santa Júlia revisa atestado de óbito e altera causa da morte de Benício Xavier, de 6 anos

A defesa de Juliana Brasil nega que a adrenalina tenha sido a causa da morte de Benício e trabalha com a tese que a criança apresentou broncoaspiração, o que provocou a morte. Raiza Bentes afirma que apenas seguiu a prescrição médica ao aplicar a medicação.

Foto: reprodução

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