Caso Santa Júlia: médica admite em mensagens ter errado prescrição que antecedeu a morte de Benício

Capturas de tela de uma conversa por aplicativo de mensagens atribuída à médica Juliana Brasil e a outro profissional de saúde do Hospital Santa Júlia, em Manaus, revelam que a médica reconheceu ter errado a prescrição de adrenalina para o tratamento de Benício Xavier, de 6 anos. Segundo relatório da UTI pediátrica da instituição, a substância, que atua no sistema nervoso, provocou sucessivas paradas cardíacas na criança, que morreu no último dia 23, na unidade hospitalar privada. Na troca de mensagens, ela afirma: “Eu errei a prescrição”.

Leia também: Caso Santa Júlia: Polícia suspeita de homicídio doloso após médica admitir erro de prescrição no caso Benício, de 6 anos, morto no último dia 23

Juliana Brasil é investigada pela Polícia Civil do Amazonas e pode responder por homicídio doloso, após a família denunciar falha na prescrição e aplicação da adrenalina em um caso inicialmente tratado como tosse seca e suspeita de laringite. O medicamento deveria ter sido administrado por inalação, mas foi aplicado por via intravenosa.

Nas mensagens, a médica relata que o menino “ficou todo amarelo” e solicita que um profissional da UTI desça imediatamente para prestar atendimento no setor onde Benício passou a se sentir mal.

“Paciente desmaiou. Pelo amor de Deus”, escreveu Juliana ao colega. Após receber a medicação intravenosa, Benício apresentou palidez e disse aos pais que sentia “dores no coração”. A criança sofreu seis paradas cardiorrespiratórias antes de morrer no Hospital Santa Júlia.

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A direção do hospital encaminhou à Polícia Civil a conclusão de uma apuração interna que confirma que a médica assumiu o erro na prescrição.

Em depoimento, Juliana afirmou ter ficado surpresa por não ter sido questionada pela equipe de enfermagem quanto à forma correta de administração do medicamento após a prescrição equivocada.

A legislação brasileira estabelece que diagnóstico e prescrição de medicamentos são atos privativos de médicos. A técnica de enfermagem que aplicou a medicação também foi ouvida no inquérito. Ambas estão afastadas das funções, segundo o hospital.

O Conselho Regional de Medicina do Amazonas conduz procedimento interno para apurar possível infração ética. O Ministério Público do Amazonas solicitou a suspensão do registro profissional de Juliana Brasil.

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