Antônio Benjamin, operador do guindaste que tombou no último domingo, 23, em Manaus, deixando uma pessoa morta e outra ferida, será acusado de homicídio culposo e lesão corporal. O delegado titular do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), Marcelo Martins, informou que Benjamin não tinha habilitação para operar o equipamento e estava afastado pelo INSS, recebendo auxílio-doença. Os proprietários da empresa que contratou o profissional também serão ouvidos e podem responder solidariamente pelo mesmo crime. O guindaste tombou de lado enquanto içava um módulo da árvore de Natal no Largo São Sebastião, no Centro da capital.
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De acordo com o delegado, o operador admitiu diversas irregularidades na operação, entre elas a ausência de um dos equipamentos de segurança e a falta do plano de içamento assinado por um engenheiro responsável. Mesmo sem essas exigências, permitiu que trabalhadores fossem içados junto ao módulo, prática proibida pela legislação. Ele também afirmou, em depoimento, ter sido contratado para uma diária.
Para o delegado, há indícios suficientes de imprudência, imperícia e negligência por parte do operador. “A soma desses fatores culmina na responsabilidade dele pelo crime de homicídio culposo”, afirmou. Um auxiliar identificado como Marcos, que também participou da operação, será interrogado nesta tarde. Antônio Benjamin passou a noite detido na delegacia e participará de audiência de custódia ainda hoje, após o encaminhamento do auto de prisão em flagrante pela Polícia Civil.
A vítima Antônio Paulo Rodrigues de Souza, 40, que estava no módulo no momento em que era erguido, foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e levada a uma unidade hospitalar, mas não resistiu aos ferimentos. Seu corpo está sendo velado em Parintins, sua cidade natal. Outro trabalhador sofreu fraturas nas pernas e permanece internado.
CREA investigará acidente
O Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA) confirmou que a manobra que resultou na morte de Antônio Paulo Rodrigues de Souza é proibida. O conselheiro do Crea-AM, Paulo Figueiredo, explicou, em entrevista a uma emissora de TV local, que o anexo 12 da Norma Regulamentadora 12 (NR-12), que define requisitos de segurança para máquinas e equipamentos, veda o içamento simultâneo de cargas e pessoas.
Ele destacou ainda que a operação não tinha Anotação de Responsabilidade Técnica, documento assinado por engenheiro com cronograma, requisitos de segurança e etapa de fiscalização. “As pessoas que estavam próximas ao guindaste, por exemplo, e que correm na hora do tombamento, também não poderiam estar ali. São falhas que, se houvesse um profissional, poderiam ser evitadas”, afirmou. O Crea instaurará procedimento para investigar o caso.
A árvore de Natal em fase de montagem no Largo São Sebastião faz parte de uma ação da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (SEC), do Governo do Amazonas. O governador Wilson Lima postou em suas redes sociais que determinou uma apuração rigorosa do ocorrido.
O Amazônia Plural não identificou a defesa do operador do guindaste para comentar o caso.






