Pedido de vigília e tentativa de violação de tornozeleira motivaram prisão de Jair Bolsonaro

O pedido público de vigília em frente ao condomínio onde fica a residência de Jair Bolsonaro (PL), feito pelo senador Flávio Bolsonaro, na sexta-feira, 21, foi citado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) como um dos elementos que motivaram a decretação da prisão preventiva do ex-presidente, ocorrida neste sábado, 22, em Brasília. No mandado, o ministro Alexandre de Moraes afirma que a convocação poderia gerar aglomeração e dificultar o cumprimento de medidas cautelares. Ele também menciona a garantia da ordem e risco de fuga de Jair Bolsonaro, diante da tentativa de violação de sua tornozeleira eletrônica, na noite de sexta.

Leia também: Bolsonaro é preso preventivamente em Brasília

Ao longo da semana, parlamentares aliados da família Bolsonaro divulgaram nas redes sociais e em entrevistas que o ex-presidente do Brasil teria quadro de saúde fragilizado e estaria apresentando episódios de soluço. Entre eles, o deputado federal Nikolas Ferreira, que na sexta-feira retomou a narrativa sobre a facada sofrida por Bolsonaro durante a campanha presidencial de 2018.

Ferreira afirmou que o ex-presidente estaria com soluços e dormindo no chão de casa ao lado de um dos filhos. Alegou que o quadro seria decorrente do atentado cometido por Adélio Bispo e voltou a questionar sua autoria. O deputado declarou ainda que “alguém quer ver Bolsonaro morto” e disse que, caso fosse preso, Bolsonaro “poderia não sobreviver”. As falas foram interpretadas como tentativa de mobilizar a opinião pública e pressionar por um adiamento da prisão, decorrente de condenação por tentativa de golpe de Estado.

No vídeo em que convoca a vigília, que teria início neste sábado, Flávio Bolsonaro voltou a afirmar que seu pai, que cumpria prisão domiciliar até então, é alvo de perseguição política. A gravação viralizou nas redes sociais.

Ao justificar a prisão preventiva, Moraes escreveu que “o conteúdo da referida vigília indica a possibilidade de tentativa de utilização de apoiadores do réu Jair Bolsonaro, em aglomeração a ser realizada no local de cumprimento de sua prisão domiciliar, com a finalidade de obstruir a fiscalização das medidas cautelares e da prisão domiciliar pela Polícia Federal e pela Polícia Penal do Distrito Federal”.

O ministro também mencionou o risco de fuga, destacando que a residência de Bolsonaro fica a cerca de 13 quilômetros da embaixada dos Estados Unidos, em Brasília.

”Rememoro que o réu, conforme apurado nestes autos, planejou diante a investigação que posteriormente resultou na sua condenação, a fuga para a embaixada da Argentina, por meio de solicitação de asilo político naquele País”, disse Moraes.

O ministro lembrou ainda que outros aliados do ex-presidente, como a deputada federal Carla Zambelli e o deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho dele, deixaram o país em momentos distintos, dificultando eventuais ações judiciais.

Bolsonaro foi preso na manhã deste sábado, 22, a pedido da Polícia Federal (PF), em seu condomínio, em Brasília, no mesmo dia em que a Justiça negou à sua defesa o pedido de cumprimento da pena em prisão domiciliar por tentativa de golpe, processo que ainda está em fase de recurso. Ele foi levado à sede da PF e permanecerá em um espaço isolado com cama de solteiro, frigobar, ar-condicionado e espaço extra. A sala de estado é usada para eventuais prisões de políticos como ex-presidentes. A decisão de Moraes prevê, ainda, assistência médica em período integral ao ex-presidente.

Foto: Carolina Antunes e Lula Marques / Agência Brasil

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