O presidente do boi-bumbá Garantido, Antônio Andrade Barbosa, protocolou, nesta segunda-feira, 19, um ofício destinado ao secretário de Estado de Cultura do Amazonas, Marcos Apolo Muniz, ameaçando não colocar o boi na arena durante o 56º Festival Folclórico de Partintins, que ocorre no final deste mês, na ilha tupinambarana.
O motivo seria a péssima condição financeira da agremiação, que em 2022, protagonizou uma polêmica envolvendo a diretoria, com problemas diversos e saída de itens e de membros do boi de suas funções. O Festival é considerado a maior manifestação folclórica do Amazonas e uma das maiores do País.
De acordo com o documento, Barbosa diz que precisou tomar duas decisões imediatas, sendo que somente uma delas seria possível devido à escassez de recursos. Ele afirma que há dificuldades em realizar a apresentação no Festival e de pagar os profissionais envolvidos na construção do Boi 2023. O diretor quer um recurso emergencial para que o boi se apresente.
De acordo com informações do site BNC (Brasil Norte Comunicação), o documento fala ainda que a diretoria foi obrigada a tomar tal decisão, para evitar colapso, calamidade e até morte.
Ainda segundo a publicação, entre realizar a apresentação e pagar os profissionais, “fomos obrigados a seguir pela segunda opção, ou seja, pagar todos os funcionários do Bumbá. Isso implica a ausência de condições de nos apresentarmos nas três noites do Festival. Objetiva-se, assim, não só o pagamento dos trabalhadores, mas também evitar o colapso que se aproxima em caso de não cumprimento do acordado com nossos artistas em geral. Trata-se de calamidade iminente, com direito a ameaças de morte e cenário de caos social que deverá afetar não somente o Boi Garantido, mas a cidade de Parintins como um todo”.
De acordo com o BNC, caso não se apresente, o Garantido acumulará um calote de R$ 13,6 milhões, incluindo valores repassados pelo Governo do Amazonas, patrocinadores e vendas de bilheteria.
Fotos enviadas à redação mostram o galpão do Boi em Parintins, com alegorias inacabadas, às vésperas do festival. O local deveria abrigar carros e produções artísticas que deveriam ser apresentadas no final do mês.

O Amazônia Plural solicitou nota ao Bumbá sobre o ofício e questionou se a agremiação devolverá os valores investidos caso não se apresente. A redação aguarda retorno. O portal também solicitou retorno sobre o ofício à SEC (Secretaria de Estado da Cultura).






